O coração de uma criança – uma história

meditacao para criancas superando dificuldades

Eu não tenho mente.

Tudo o que tenho

É o coração-flor de uma criança.

– Sri Chinmoy

 

O que são dificuldades?

Dificuldades, sob uma ótica, podem ser simplificadas como a nossa própria noção de como algo deve ser ou acontecer. É fruto da nossa expectativa por um resultado fixo, idealizado, construído. Naturalmente, se não tivermos expectativas ou construções mentais, podemos facilmente encarar as situações como elas são.

 

Como não ter expectativas? Seja como uma criança

Uma forma de não ter expectativa é adotar o coração de uma criança. Uma criança não julga da mesma forma que um adulto. Ela está fresca, sem ideias pré-concebidas, e enxerga a beleza em tudo. Ela enxerga, de fato, a beleza de seu próprio coração espelhada no mundo exterior.

É claro que não deixaremos de executar nossas funções e lidar com as responsabilidades do dia-a-dia. Mas podemos encará-las usando um ponto de vista mais iluminado, mais puro, mais alegre: o nosso coração de criança.

Segue abaixo uma história do livro Asas da Alegria, de Sri Chinmoy.

 

O Coração de Sete Anos de Idade

Dizemos “ficar com a mente em paz”, mas a paz na verdade não fica na mente. Quando precisamos de paz, temos de ir além do reino da mente. Se você sente que tem vinte ou quarenta anos de idade, terá de lutar contra a sua mente para ter sequer um vislumbre da paz. Contudo, ao sentir que você é uma criança de sete anos de idade – isto é, se tiver um coração de criança – você fará o mais rápido progresso.

            Havia um cientista indiano muito especial, chamado Dr. Satyendranath Bose. Seu nome é imortal no mundo científico, não apenas na Índia, mas também em outros países. Ele era grandioso, porém muito bondoso, humilde e afetuoso. Seu era um coração de criança.

            Dr. Bose tinha um carinho especial pelas crianças e participava de muitos jogos com elas. Um dos jogos prediletos chamava-se Karam. Num certo dia ele jogava Karam junto de alguns de seus amiguinhos, profundamente entretido com a brincadeira. Um homem de meia-idade se aproximou e ficou a observar o jogo por um longo tempo. Após um certo tempo, o cientista disse a ele: “Em que posso ajudá-lo?”

            O homem respondeu: “Amanhã haverá um encontro especial em nossa escola. Eu ficaria muito grato se você pudesse presidir a reunião.”

            Com toda a educação, o Dr. Bose disse: “Não, infelizmente eu não posso. Perdoe-me, mas você terá de pedir a outra pessoa.”

            E o visitante insistiu: “Oh, nós precisamos muito de você. Ninguém é tão distinto quanto o senhor. Ficaríamos muitíssimo honrados se você viesse e presidisse o encontro.”

            Com máxima polidez, o cientista explicou: “Não posso ir amanhã na hora estipulada porque estarei brincando com os meus amigos aqui. Nada me traz mais alegria do que brincar com as crianças. Eu presidi centenas e centenas de reuniões, mas lá eu não tenho alegria alguma.

            “Eu quero alegria, você quer alegria, todos querem alegria. Para mim, este jogo é muito mais significativo do que a oportunidade que você está me dando de presidir o encontro. Sei que pessoas intelectuais e argumentativas estarão lá e trarão consigo suas mentes racionais. Estou farto da mente racional. Eu quero apenas o coração, o coração puro e sincero, o coração-unicidade. E eu sinto esse tipo de coração aqui, com meus pequenos amiguinhos.

            “Eu prometi a eles que brincarei amanhã, e certamente o farei. Eu quero ficar apenas no coração. Já cumpri o meu papel na mente e agora estou cumprindo o meu papel com o coração. A satisfação está apenas nele; a paz está nele, apenas nele.”